Num restaurante qualquer Byron e Menosqueu tomavam uma Coca-cola enquanto aguardavam os pratos pedidos, numa mesa meio afastada uma sereia com cabelos dourados e olhos claros, biquíni florido e alaranjado como o pôr-do-sol. Ela olhava Menosqueu com um ar envergonhado e Menosqueu retribuía em dobro aquele olhar verde acinzentado, de ressaca como os de Capitu. Byron percebeu e como sempre com poucas palavras definiu a vontade de Menosqueu:
- Vai lá!
Menosqueu junto do seu copo, foi até a mesa com aquela menina linda. Sem pedir licença sentou-se e disse:
- Minha querida, gostaria de elogiar seus olhos, alias, elogiá-la! Você é linda!
Ela se escondeu atrás dos canudos do seu copo de suco de laranja sem açúcar. Menosqueu reparou em tudo, adorava definir as pessoas pelas coisas ao seu redor e por comportamento, essa era uma nova mania que pegará após o rompimento com a amável e complicada Queróvida. Olhava todos os detalhes, brincos de argola demonstravam que ela era uma pessoas de ciclos, fases que terminavam e começavam, as cores vivas de suas roupas mostravam alegria, mas só aquele sorriso indecifrável, como de Monalisa, enigmático. Ela atravessou os pensamentos de Menosqueu misturando risos a uma voz não muito fina, mas firme:
- Esse rapaz gentil e constrangedor possui um nome?
Ele responde após um gole na Coca-cola:
- Menosqueu Petit, e o seu?
Ela responde sem enrolação:
- Karin Pedeghith!
Como de assalto, Byron chegou no ouvido de Menosqueu e disse bem baixo:
- Não se preocupe comigo,estarei em algum lugar entre as ondas e o mar. Aproveite amigo, toque uma corda! – Deu dois tapinhas nas costa de Menosqueu, um sorriso para Karin e saiu do boteco.
Continuaram a conversar sobre o que ela fazia, descobria muitas coisas além das palavras de Karin, as pernas, as posições da mão e jeito inquieto que mexia nos cabelos, dizia muito mais do que suas palavras coesas e certíssimas, as conjunções, os plurais e sem contar os sinônimos. A tarde caiu e eles com a mesma Coca-cola e o mesmo suco de laranja sem açúcar , que demonstrava que ela gostava de coisas autenticas sem interferência, puras como são.
Comentaram como a lua estava maravilhosa naquele dia.
Não havia fim as palavras, e nem o assunto, mas ele insistia em analisá-la. No meio dessa analise sem saber, Karin encosta a boca junto a boca de Menosqueu, o pôr daquele sol era a única testemunha daquilo que nosso protagonista não sabia o que era realmente, mas em meio aquelas emoções deixou a cordar vibrar. Ao se desencostarem Menosqueu abriu os olhos e uma reação que nem ele esperava aconteceu: Risos desenfreados consumiram ele, sentou na areia pois suas pernas perderam a força. Ela o acompanhou sem entender.
Descobria Menosqueu finalmente do que ele ria, pela primeira vez ele acertava nas conclusões sobre pessoas, sobre definição de atitudes e tudo aquilo que sempre tentou fazer, e tinha literatura e conhecimento suficiente para aquilo, mas não era o caso de conhecimento que desta vez tinha dado certo, o fato era que naquele momento Menosqueu tinha confiança no que fazia, o que definia era certo, ou praticamente (quando se falava de pessoas o “praticamente” quer dizer muito).
Emendou os risos num beijo retribuindo aquela “gentileza” cedida por karin.
Os beijos emendaram abraços e os abraços beijos, e junto dos beijos tornaram-se um emaranhado de mãos e corpo, suor e areia. Naquele momento um era do outro, pareciam que se conheciam a anos, intimamente um sabia onde o outro deixava-se entregar mais. O sol se foi e deixou lugar para lua, as únicas duas testemunhas daquele pecado. O adormecer veio como chuva de verão, a areia era o travesseiro mais macio do mundo e eram tudo que precisavam.
Menosqueu despertou primeiro com um aperto no peito, não tinha a mínima noção de horário, olhou pro lado e viu os lindos e lisos cabelos loiros de Karin. Não sabia definir aquele momento, foi um êxtase misturado com arrependimento, Não amava Karin. Nem ao menos conhecia aquela mulher. Riu com as mãos nos olhos arrastando-as até o cabelo. Ela despertou com um sorriso satisfatório no rosto, ele retribuiu o sorriso arrumou as roupas amassadas e a ajudou a levantar.
Ela com um beijo no nariz de Menosqueu disse:
- Bem querido, adorei! Mas tenho outros pesos no meu coração!
Ele riu e retribuiu aquelas palavras com outras palavras:
- Ah! Karin, que alívio, também tenho enormes dívidas com meu coração também, tenho de pagá-las. Sabe, adorei estar com você hoje, mas minha alma queima por dentro, Sinceramente, não era você que eu procurei nessa areia e nessa praia linda! Desculpe-me?
Ela o corrigiu com palavras calmas e amáveis:
- Amigo, não se desculpe, adorei também, e confesso-te: Não te procurei também. Mas achei uma pessoas ótima, mas nossos destinos não estão na mesma estrada, se cruzaram hoje, somente hoje, amanhã talvez podem se cruzar. Mas não pense nisso.
- Sim! tocamos uma bela nota de uma corda das nossas vidas e nada mais, ela parou de vibrar já, quando ela vai tocar de novo, não sabemos!
Ela sem saber direito com uma cara de dúvida perguntou:
- Notas? Cordas de nossas vidas?
Ele não perdeu tempo em responder, mas disse:
- Um dia você saberá a respeito disso! – Riu e a abraçou.
No mesmo restaurante trocaram dados, como telefone e endereço, ela era de uma cidade distante.
Byron encostado num coqueiro, contemplando aquele céu esperava Menosqueu, entraram no carro ambos com um sorriso e uma vida diferente após aquele dia no paraíso. A ida os entristecia, mas a lembrança era lenha para queimar durante toda a semana em uma cidade estressante onde as pessoas tinham problemas profissionais, pessoais com elas mesmas e com outras pessoas também, numa cidade onde as pessoas infelizmente sofriam por amor, e isso as impediam de se envolverem sinceramente, ou firmemente com outras pessoas que poderiam dar certo também. Menosqueu e Byron, não eram diferentes, por mais que parecessem.
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