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Menosqueu e seu coração, num mundo onde tudo podeacontecer.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

(27) Naquele dia o sol queimou, o mar quebrou, e o mundo parou para que Menosqueu descesse.

Era domingo e seis horas da manhã ouviu berros com seu nome na janela. “Quem será?” perguntava-se Menosqueu, afinal eram seis da manhã de um domingo.
Abriu a janela daquele segundo andar e se deparou com Byron junto ao seu carro, fazendo barulho, gritando e buzinando:
- E ai Menosqueu, vamos! Gritou Byron da rua.
- Ir a onde filho? Questionou Menosqueu esfregando os olhos, fazia 3 horas apenas que estava dormindo.
- Praia campeão, estou indo para o lugar mais lindo do mundo! Vamos logo, estamos perdendo o sol! – E entrou no carro.
Menosqueu olhou para céu, era tudo preto ainda.
Achava aquilo uma loucura. Nem sol tinha, mas alguma coisa dizia que ele tinha que ir com Byron.
Depois de mais algumas buzinadas ele se resolveu por ir. Desceu as escadas se trocando, não penteou o cabelo que ainda não tinha cortado (sempre se prometia, mas tempo era artigo de luxo para Menosqueu) chegando à portaria ainda pondo o tênis, entrou no carro, saudou Will e pergunto apenas por perguntar:
- Onde vamos? – Não esperou a resposta, aquilo não importava naquele momento. Mas Byron disse olhando para ele:
- Veremos o mar! – E acelerou o carro.
Chegando à auto-estrada Byron acelerou o máximo que podia, não havia nada que os impedissem. Byron disse para Mensoqueu subindo o tom de voz para ultrapassar o volume do rádio assim como ultrapassava os outros carros rapidamente
- Nada a perder?
E Menosqueu disse sentindo o vento engasgá-lo:
- Nada a perder!
E o carro foi acelerado até a última parte do velocímetro, mais de duzentos por hora e o riso começou a contagiá-los. A sensação de liberdade era incrível, não havia nada igual. Não existiam medos, pois eles passavam junto com o vento, só ficavam as alegrias, a liberdade e o mundo parando por poucos segundos. Não se pensava em nada. Não precisavam de palavras para conversar aquele silêncio já dizia: Felicidade. Chegando à praia o carro foi parado perto da areia. A areia quente queimava a sola do pé de Menosqueu, mas ele não ligava. Já estava de bermuda foi caminhado para o mar, ao seu lado Will Byron, e o mesmo silêncio inquebrável. A onda socava Menosqueu e ele deixava com o maior prazer, o sal fazia sua pele fritar naquele sol. O sol lambia os dois como uma mãe lambe suas crias. Enfim uma palavra:
- Tenho uma coisa pra te contar!
Byron levantou o olhar, que olhava fixamente para o horizonte e admirou a quebra do silêncio:
- Que?
- A teoria das cordas! – sem rodeios disse Menosqueu
- O que é isso Menosqueu? – Byron disse isso e emendou um mergulho naquele mar. Quando subiu com os olhos cheios de água salgada, Menosqueu continuou explicando:
- Tudo que você faz agora, vai se repercutir de alguma forma no seu futuro: como as ondas de uma corda, entende?
- Sim entendo, continue!
- Sim e a corda que você tocar, vai de alguma forma mudar alguma coisa, mas você não sabe qual é o som dessa corda e você não pode tocar duas cordas ao mesmo tempo! – Se empolgou Menosqueu.
- Discordo – Disse W. Byron serenamente boiando nas ondas.
E continuou:
- Como você não sabe o som? A vida não é uma questão de sorte, ou de arriscar, preste atenção Menosqueu, você tem de saber que corda tocar, feliz é o homem que escuta a nota antes dela tocar... – disse mergulhando novamente.
- Vidência? – Perguntou Menosqueu
- Não, meu lerdo amigo, analise! Ponderar! Organizar! – disse intercalando palavras com braçadas.
- Sim, estratégia! – refletiu Menosqueu – Mas tenho um problema, preciso transformar isso em história – Pediu ajuda Menosqueu.
- Pra que? – Secamente Byron
- Espalhá-la mais fácil pelo mundo – Revelou o Visionário.
- Legal, isso é muito legal. Bem Menosqueu, tua vida meu caro amigo!
Tem algo mais narrativo que tua vida!
Menosqueu se sentiu a pessoa mais burra do mundo, como não enxergava aquilo, por isso que se completavam tanto, coisas vistas por um viravam claras aos olhos do outro. Sempre foi assim:
- Estou com fome – Will quebrou a linha de raciocínio de Menosqueu com essa frase – Vamos comer!
Saíram da água, mas Menosqueu fazia uma retomada a sua vida e era fato que Queróvida voltaria à tona em sua mente.