Acordou assustado com o telefone tocando. Atendeu, eram os funcionários da empresa preocupados com ele, aquela jornada de dois empregos não estava sendo muito saudável para a parte física, mas em compensação para o ego de Menosqueu, era fundamental.Arrumou-se correndo e foi para a empresa. Lá, problemas do dia – a – dia não o deixava de cabeça quente, Sr Luis era competente o suficiente para cuidar deles. Menosqueu tinha suas obrigações e admitia que as vezes deixava as coisas escaparem, mas nada fora do controle. A única coisa que saia do controle eram as cordas, quando se falava em Queróvida, até quando as cordas vibrariam mal vibradas. A carta já estava além do que deveria ser escrita. Estava ela, a carta, na mala dele, pegou-a na mão e resolveu dar um final para aquelas palavras sinceras, mas até então sem destino. Colocou as páginas em cima do risque e rabisque, pegou a caneta do bolso, encostou-a no papel e resolveu por não escrever nada, achou melhor rascunhar, numa folha velha, fez milhares de finais, citou Fernando Pessoa, Vinicius de Morais, até mesmo José de Alencar. Mas achou melhor não terminar aquela carta, não sabia nem como se despedir, iria deixá-la lá, quieta, sem um final. Teria de pensar muito até tocar aquela nota.