Quase sem gasolina no carro, Menosqueu não se conformava, não queria ir para casa. Passa perto de Leofis, seu irmão, há muito tempo não o visitava, só se encontravam pelas ruas do complexo empresarial onde trabalhavam, afinal a empresa era herança dos pais de Menosqueu. Mas acontece que a empresa foi subdividida em vários segmentos, Menosqueu se especializava em um, enquanto Leofis em outro. Não se viam muito, apenas se falavam e muito formalmente, quando havia reuniões da grande cúpula da empresa.
Parou o carro em frente a grande casa de Leofis, uma casa belíssima, em estilo norte americano, com a frente e a entrada da garagem bem iluminadas e com certeza dentro daquela garagem havia mais de uma carro. Menosqueu parou em frente ao grande portão e tocou o interfone. Uma voz de mulher atendeu:
- Quem é?
- Pamlena ? – respondeu Menosqueu com outra pergunta.
- Quem é? – Não se modificou a voz do outro lado.
- Menosqueu.
- Nossa Menosqueu, quanto tempo... Já estou abrindo- Disse a voz afastando-se do telefone.
Ele entrou com o seu carro popular e estacionou perto das coleções de Leofiz. Mavericks e mais Mavericks se estendiam pela cumprida garagem. As escadas eram com um corrimão mais detalhado que uma porcelana chinesa, alias porcelanas chinesas e japonesas faziam parte da sua decoração. Chegando à sala estava Leofis e seus filhos. Leofis como de costume analisando suas moedas raras. Levantou-se e deu a mão a Menosqueu dizendo.
- O que te traz aqui, meu irmão?
- Nada só não queria ir para casa – Não mentiu Menosqueu.
- Precisa de algo? – Perguntou Leofis.
- Não, não só vim visitá-lo mesmo, saber se esta tudo bem com as crianças, desde o aniversário deles que eu não os vejo ( eram gêmeos).
- Ah, sim, muito tempo mesmo, mas se você estiver precisando de alguma coisa sabe que eu posso te ajudar. – Insistiu Leofis.
- Não, obrigado só foi pela visita mesmo, não posso sentir saudades do meu irmão?- Tentou mudar de assunto Menosqueu.
- Ah! Que bom que sentiu saudades, há tempos não o vejo, pensei que estava em apuros, Alias você nunca teve responsabilidade e eu com tudo que eu tenho sempre te ajudando.
Menosqueu novamente tentou mudar de assunto:
- Oh! Só vim visitá-lo, não receber criticas!
- É de fato você nunca soube ouvir criticas mesmo, desse jeito não vai chegar a lugar algum, ainda mais com essas roupas.
Menosqueu não entendia mais nada daquela conversa, nunca ligou para roupas, desde que ele se sentisse bem dentro delas, não entendia onde as vestes de Menosqueu se encaixavam nisso tudo. Ainda não contente Leofis continuou:
- Além do seu carro, como um dono de empresa pode andar assim? E empresa essa que por varias vezes você quase faliu, se não fosse o Sr. Luis reerge-lá!
Menosqueu irritadíssimo já fez caras e bocas e perguntou:
- Mas porque Leofis? Tudo isso?
E ele perdendo as estribeiras respondeu:
-Pois você não passa de um irresponsável, Menosqueu, eu sou Livre docente da minha universidade e você o que é?
Menosqueu já tinha entendido tudo naquele momento, reparou no anel de titulação no dedo de seu irmão:
- Já sei do por que disso tudo! - E se virou, mas nesse momento, infeliz momento, Menosqueu desastrado, esbarra na tabua de moedas de Leofis e elas vem ao chão, espalhando –se pelo piso de mármore polido. Leofis num acesso de raiva grita em meio a sala:
- Seu lazarento irresponsável!
Menosqueu não gostou do insulto e falou:
- Hey, Leofis...
Cortou leofis:
- Fez de propósito! Irresponsável!
Menosqueu, sentiu-se horrível e em uma argumentação cretina, e no mesmo tom alterado de Lofis gritou:
- Não sei o que acontece com você, mas eu não tenho nada á ver com isso! Você não pode definir, prejulgar ou até mesmo avaliar pessoas! Você não é ninguém para isso!
Nessa hora Pamlena entra na sala assustada e Menosqueu aproveitou a ocasião para ir embora dizendo:
- Pamlena, por favor abra a garagem que sairei e não quero mais vir aqui ou falar com alguém dessa família. Esse não é meu irmão, ele morreu para mim!
E desceu as escadas ouvindo os berros de Leofis pela sala ainda. Pegou seu carro e saiu em disparada pelas ruas daquele nobre bairro.
Parou em qualquer lugar e como de costume mergulhou dentro de si novamente.
De fato aquele não era seu irmão, a ambição subiu aos seus pensamentos. Como? Ele não sabia, mas não daria para conversar com alguém que subia em cima das pessoas só por ter uma titulação ou um cargo a mais. Ele não tinha atitude sobre a vida dos outros. Menosqueu não sabia lidar com pessoas assim e realmente, não queria vê-lo mais. Era agora, realmente sozinho, não havia nada que o ligasse a essa terra, os amigos de Menosqueu seriam sempre seus amigos em qualquer lugar do mundo. Aquela discussão idiota definiu muitas coisas na sua cabeça, mas que deveriam ser melhor esplanadas. E seriam ditas, ou tocadas no momento certo, mas já haviam sido decididas. Agora Menosqueu não tinha dúvida que só poderia contar com ele mesmo para resolver suas coisas. Decidiu voltar para casa, agora sim estava com sono:
- Chega de idiotices por hoje! – Disse para ele mesmo.
E realmente era muita coisa errada para um dia só. Era melhor ele serenar seu coração com uma bela noite de sono.