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Menosqueu e seu coração, num mundo onde tudo podeacontecer.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

(29) A última homenagem à um amigo

A semana tinha começado com um ar mais leve, se via o sol brilhando para Menosqueu. As Histórias que Menosqueu escrevia estavam indo muito bem, Explorê estava adorando as trapalhadas do Leandino nas histórias mais estranhas possíveis. Tais não eram uma coisa continua, tinham capítulos curtos com a temática imaginaria. Nas histórias as coisas aconteciam do nada e Leandino sempre se dava mal. Eram divertidas, mas com um fundo moral bem presente, dizia tudo que Menosqueu precisava dizer. E era realmente baseadas nas reais histórias do próprio Menosqueu, ninguém precisava saber disso, muito menos Internero. Em sua empresa, Menosqueu tentava revisar os textos escritos na madrugada anterior e mandava por e-mail pontualmente ao meio dia de cada dia.Inevitável era pensar em Queróvida, pensando no acontecia naquele domingo. As perguntas que invadiam sua cabeça eram a respeito dele, mas infelizmente ele já sabia responder, eram perguntas do tipo: - Será que eu estou me tornando um insensível? – Será que vou viver procurando uma pessoa em outros corpos, em outras vozes? – Será isso a conseqüência da canção mal tocada?Sabia ele que a resposta para tudo que ele perguntava era sim, mas custava a acreditar nisso. Tinha de provar para ele mesmo que as coisas iam ser assim agora. Balançou a cabeça e continuou montando o e-mail que dali a instantes seria mandado para Batista.Em sua caixa de entrada havia uma mensagem de alguns dias atrás de um endereço desconhecido. Pensava que a principio era algum tipo de vírus desses mandados por e-mail ou coisa parecida. Mas resolveu correr o risco.O abriu, era de uma pessoa desconhecida dizendo que uma cara, em coma alcoólico foi achado com o endereço dele no bolso, que esse cara estava em um hospital publico no centro da cidade. Ele respondeu a mensagem perguntando como essa pessoa tinha descoberto o e-mail dele. Enviando tudo que havia de enviar, Menosqueu pediu para que o motorista o levasse para o local designado no e-mail.No Hospital Central, Menosqueu chegou à secretaria e perguntou sobre Collegazo, só poderia ser aquele seu velho amigo. A recepcionista procurou o nome dele, Felicius Collegazo, nada constava. Mas constava uma madruga anterior ao e-mail a entrada de um indigente. Nas mesmas condições de seu amigo mendigo.Mas havia uma surpresa, o óbito, que foi constatado as sete horas da manhã do outro dia.A culpa deu a mão para Menosqueu, naquela hora se sentiu péssimo. Como? Perguntava-se, Pereira o motorista, apoio a mão no ombro de Menosqueu assim que percebeu que ele desabaria em lagrimas. E assim aconteceu. Cinco minutos incessantes de lagrimas. Quando recuperou o fôlego Menosqueu conseguiu fazer os tipos de perguntas de praxe quando essas coisas acontecem. E descobriu que seu grande amigo teria morrido de cirrose hepática e sua cova estaria no cemitério vertical da cidade, no estremo oeste.Infelizmente era longe. Voltou para empresa, não se concentrou a tarde inteira, saiu mais cedo. Foi direto ao cemitério vertical, onde se enterravam os indigentes. Pensava durante o caminho: “Indigente?” Que homenagem era essa para talvez o homem mais inteligente do mundo, talvez o único que tenha descoberto o que muitas pessoas passaram a vida estudando.Não merecia morar eternamente num cemitério vertical.
Enfim, chegou ao local do sepulcro eterno de Collegazo. Encontro a Sepultura de número 050608. Pôs a mão sobre a parte cinza do cimento já seco. Desejou uma boa viajem. E como uma última homenagem, com sua uma caneta começou a marcar aquele cimento moldável com as inscrições que diziam:“ Morre aqui, o homem que mais viveu na vida, aposto que ele está sorrindo agora, e não se arrepende de nada. Obrigado, amigo vagabundo, por em somente uma conversa, me ensinar como deve ser a vida”
E se foi, com lagrimas nos olhos. Não sabia onde ia. Só não queria ir para casa.