Menosqueu estava aceitando as notas tocadas por ele, mas o som continuava ensurdecedor e a dor de estômago não passava, também era um acorde mal tocado. Não poderia por mais que quisesse ver Queróvida, não era uma boa hora, ela estava com medo do que Menosqueu fez, agiu como um doente mental. Um dia naquele mundo ele poderia reencontrá-la, sim como não, pois o que importava agora eram os planos dele. E tais iam além dele, além dos oceanos, estavam no mundo, em espalhar todas suas idéias a quem quisesse ouvir, levar ao antigo mundo, um olhar novo de mudanças, de aceitações, sorrisos e perdão. Para quem estivesse disposto a ouvir, tinha feito tanta coisa má, aquele tempo que era difícil crer em tanta renovação, mas uma corda estourou e essa corda era uma corda insubstituível, logo isso o fez acordar, o fez pensar não no futuro, mas o que ele poderia fazer agora e, agora o que ele poderia fazer era isso. Espalhar suas idéias a todos os dispostos. Para ele disposição era a matéria prima para todas as transformações. E talvez isso chegaria no ouvido de Queróvida um dia. A surpresa do dia seguinte era o que motivava o nosso herói franzino e cheio de teorias a acordar todo o dia de manhã.Não poderia ele tentar fazer isso, semear suas idéias em uma quarta feira, após o trabalho viajar e voltar na quinta, era impossível, seria um tiro no pé, e mais uma decepção. Já sabia com quem falar: Batista Internero Explorê, sim ele mesmo o patrão de Menosqueu. Na quarta a noite mesmo foi falar com o velho Explorê, assim era o jeito que ele assinava seus malcriados textos, criticados por toda a classe jornalista, porém adorado por todos os que adoravam se meter em confusão. Não era nada rico, nunca ganhou muito dinheiro e nem queria, dizia ele que o dinheiro corrompe a alma revolucionária de qualquer um, nas palavras dele: “Tornava ele um cagão”.