Não deixava de rezar por ela todas as noites, pedia para que acalmasse o coração dela, todos os dias orações sinceras. Aquelas palavras haviam o machucado, mas não sua auto-estima, esta estava bem protegida, tentava cuidar dela apenas nos pensamentos, se cada reaproximação a machucava, ele tentaria de outras formas, afinal não queria machucá-la. Pensasse o que ela pensasse, ele tinha certeza de que era uma pessoa melhor. Era difícil aquela menina, na certa estava decidida, mas muito confusa ainda. Menosqueu, um taurino, e como tal se preocupava com as pessoas, era amigo carinhoso, entretanto muito forte, agüentava coisas que nem ele próprio pensava em agüentar, como o desprezo de Queróvida. E Queróvida, como uma escorpiana decidida, autoritária, que ama, mas demonstra isso de maneiras estranhas e até incompreensíveis. Mas ninguém morreria por isso, Menosqueu tinha certeza, mais do que nunca do que sentia, quanto a Queróvida, isso era uma incógnita enorme. Mas estavam vivos, e isso era o que importava, enquanto a vida os lambesse, havia chances de mudar. Menosqueu pensava assim, mas as quinhentas hipóteses, não saiam da sua cabeça, a sensação de inércia era profunda, mas tinha de aceitar, sublimava isso com outras atitudes, escrevia textos, um mais surpreendente que o outro e Batista os publicava, e era bom pros dois lados, tanto para o jornalete, quanto para MenosqueuMas seus planos haviam mudado. Não havia nada que o prendia em sua cidade, muito menos no seu país, mas por enquanto eram planos, tinha de amadurecer essa idéia.Com a cabeça no travesseiro, fez sua oração e dormiu, com um sorriso discreto no rosto, não sabia o porque, talvez ter a certeza de que haveria um novo dia amanhã, e pela ansiedade da surpresa que este guardava. Mas era o novo. Chegou sonhar naquela noite. Estranho sonho sobre esperança e outros sentimentos que era mais ou menos assim.