"E não te esqueças, meu coração, que as coisas humanas apenas mudanças incertas são” .Leu isso num livro de um poeta grego que tinha esquecido o nome e acordou com aquela frase na cabeça. Não levantou da cama, não iria para empresa naquele dia, estava sem saco para aturar funcionários. Acordou cedo mesmo assim. No instante que colocou o pé no chão lembrou-se do que aconteceu na noite anterior. Um vazio característico, mas agora com sentido, o invadiu. As lágrimas ameaçaram a descer, mas se inrustiram no olho. De cueca, andou até a cozinha e de certo não sabia o que estava fazendo lá. Voltou ao quarto e vestiu-se, passou a mão no cabelo, tentando ajeitá-lo e dizendo a ele mesmo: - De fato você precisa cortar isso ai! Estava se sentindo surrado e pior, engasgado. No elevador descendo e pensando nas coisas que fez, um suspiro que trousse a fala: - As coisas já foram feitas, agora eu preciso pensar.A semana passada já tinha sido muito conturbada. Não soube como reagir diante daquela situação. Não podia negar que ainda a amava. Aquela história das propriedades havia sido mal entendida. Mas era o que deveria ser feito, metade de cada um, e o dinheiro devido, não trariam felicidade para nenhum dos dois. Essa história pegou mal diante de Queróvida, e isso diminuiu e muito as chances dele. Menosqueu tinha uma maldita mania de premunir, pena que isso sempre dava errado: - Isso é ridículo! Disse Queróvida no telefone aquele dia, que propôs a divisão e também a doação. Ridículo, de fato ele era, pois apesar de tudo, ele ainda gostava dela. Um dia disse ele que se fosse preciso ele ficar bem longe dela para que ela fosse feliz, assim ele faria e se apegava nisso para não pegar o carro e ir tirar satisfações com ela. Mantinha -se na dele tentando se reorganizar, sabia do motivo do rompimento por parte de Queróvida, mas estava com a sensação de que poderia fazer o melhor. E por enquanto o melhor era se afastar.Já caia a tarde quando voltou para o apartamento.Sentado olhando para fora, pensava como poderia ser diferente. De repente um aperto no peito que sempre vinha, quando pensava no fim, no nunca mais poder tê-la, pensava quanto era burro, sabia ele muito bem que a culpa não era só dele, mas o sentimento de incompetência agora tinha sentido. Aquilo era insuportável, desta vez não conteve as lágrimas que decaiam até a sua boca. Não sabia ao certo que estava fazendo, Só pegou o papel e começou a escrever. Mas uma coisa o assustou a carta que ele escrevia não era em nome de Queróvida, eram palavras dele para ele mesmo, como uma forma de desabafo, de confissão pessoal.Então, buscando um pedaço de papel velho, sentado a mesa da cozinha, com uma BIC mastigada, as palavras surgiam no papel e algumas delas diziam assim: